Atividades para crianças pequenas, 2 a 3 anos

Esse mês fizemos uma sequência de publicações sobre atividades, primeiro foram as atividades para os bebês de 0 a 1 ano, depois para crianças de 1 a 2 anos, e hoje vamos falar sobre atividades para crianças de 2 a 3 anos.

Procurei manter as sugestões de atividades na mesma linha que adotamos anteriormente, usando materiais que as famílias possam ter em casa, para não ter que sair ou comprar.

Mas antes eu quero te alertar sobre a necessidade de informar aos pais, as famílias, sobre a importância de fazer as atividades.

Da mesma forma que envolvemos a criança na escola, os pais precisam envolver as crianças em casa. E nós precisamos mostrar para os pais como fazer isso quando enviarmos as atividades. Seja por vídeo, escrita, no whatsapp, da forma que for, nós precisamos conversar sobre isso.

Temos que informar para os pais de que aquilo é importante para o desenvolvimento da criança, e como é importante, e como os pais, a família, podem ajudar a criança nesse momento, e como a criança precisa daquilo que você está passando.

Quando você for fazer um vídeo para explicar uma atividade para a família sempre coloque a importância daquilo, no que aquilo vai ajudar a criança, como ela vai se desenvolver fazendo aquela atividade, como vai funcionar aquilo para ela.

Todas essas atividades vão ajudar com socialização, elas favorecem o aprendizado da leitura, da escrita, da consciência corporal, da criança andar melhor, da criança cair menos, da criança não ser uma criança que trombe em cadeira, que trombe em mesa.

Então tem uma série de benefícios não só momentâneos, mas em longo prazo, em tudo que fazemos na educação infantil.

A família não sabe disso, não possuem esse conhecimento. Eles trabalham com outras coisas, outras áreas. Esse conhecimento é nosso, profissionais da educação.

É importante falarmos isso para a família, deixar isso bastante claro. Para eles entenderem que se não tiver fazendo aquela atividade de alguma forma ela não está favorecendo o desenvolvimento da criança, ela não está ajudando a criança desenvolver todo o seu potencial.

Então vamos para as dicas…

Brinquedo de encaixar

Usando uma esponja de louça, qualquer esponja de qualquer marca e dois palitinhos, pode ser palito de comida japonesa, palito de churrasco, o que a família tiver. Em seguida espete os palitos um de cada lado da esponja.

Depois corte dois canudos em pedaços de 2 a 3 cm.

A atividade é a criança encaixar os canudos nos palitos.

Fazendo movimentos de pinça, trabalhando coordenação motora, trabalhando coordenação visomotora, a atenção e a concentração.

Quem não tiver nenhum tipo de palito pode substituir por macarrão espaguete, e se não tiver canudinho pode trocar por macarrão com furo.

Atividade para estimular a coordenação motora e concentração

Para fazer essa atividade use um rolinho de papel higiênico ou papel toalha e faça uns furinhos. Nesses furinhos vamos passar lápis ou canudo ou pode ser um palitinho, um galho de árvore, o que tiver. E a criança vai brincar de enfiar um palito por um furo, cruzar, e encontrar o outro furinho.

Vai trabalhar a coordenação motora, a atenção, lateralidade, a criança pega com uma mão, pega com a outra mão, a família pode incentivar a criança a usar as duas mãos.

Carimbos de esponja

Agora vamos fazer um trabalho sensorial com formas geométricas e tinta.

Corte formas geométricas em uma bucha de louça. Círculo, retângulo, quadrado e triangulo.

Do outro lado você pode ou não coloque um “cabinho” um palitinho para pegar.

Formou um carimbo para trabalhar cores e formas. Aí é só molhar na tinta e carimbar.

Podemos usar os carimbos para ensinar as formas geométricas para as crianças.

Podemos relacionar as formas com coisas que temos em casa, por exemplo, pedir para a criança encontrar em casa tudo que seja quadrado.

Se a família não tiver tinta guache em casa podem fazer uma mistura de água, corante e maisena, e usar como tinta. Também podem misturar água, com farinha de trigo e corante. Se não tiver corante podemos usar algum tempero que tiver em casa, como o colorau, pó de café, canela, açafrão que é amarelado, suco em pó.

Se quiser fazer mais natural, para as crianças menores, pode fazer tinta com legumes, ou com iogurte natural.

Brinquedo para relacionar cores e formas

Essa atividade é outra possibilidade para trabalharmos cores e formas.

Essa idade, entre 2 e 3 anos, é bem bacana para trabalharmos com cores e formas.

Primeiro separe rolinhos de papel higiênico, e cole um pedaço de papel para fazer um fundo, mas se quiser brincar não chão nem precisa colocar nada para tampar o fundo.

Depois desenhe algumas formas geométricas, uma em cada rolo de papelão. Como círculo, quadrado, triângulo, retângulo, e pinte.

Se você quiser pode utilizar as cores primárias: vermelho, azul, amarelo, e verde.

Feito isso pegue alguns palitinhos de sorvete que podemos usar de três formas diferentes:

  • A primeira é fazendo, vamos pegar de exemplo o círculo, fazer o desenho de um círculo em papel, colar no palito, e colorir da mesma cor que está no rolinho, é uma forma de relacionar.
  • Na outra desenhe um círculo num palito de picolé, e pinte usando a mesma cor do rolinho.
  • E uma terceira forma, só o formato do círculo no palito, mas não colorir.

Nós sabemos que a criança aprende de formas diferentes, que temos que fazer a mesma atividade de várias formas, pois cada criança aprende de um jeito, cada criança tem o seu tempo de aprender.

Então, dessa forma, nós trazemos várias possibilidades de aprendizado da mesma coisa. Eu poderia ter feito só uma, mas fiz três.

E usei a mesma cor para colorir os rolinhos e a forma nos palitos, mas eu poderia também, se quisesse aumentar o grau de dificuldade, fazer o círculo do palito de outra cor.

Se eu faço de outra cor a criança vai ter que pensar se ela vai relacionar a forma, ou a cor, e isso aumenta o grau de dificuldade da atividade.

Na hora de fazer a sugestão cada professor vai avaliar para sugerir a melhor possibilidade, e qual o grau de dificuldade é melhor de acordo com o desenvolvimento de cada criança.

No começo eles não vão falar o nome das formas, se eles olharem pela cor, e colocarem na mesma forma, já estarão relacionando. Se eles olharem o formato e colocarem no mesmo já vai gerar aprendizado.

Com esse tipo de atividade, se a família engajar, sentar no chão junto, participar, a criança fica por muito tempo brincando.

Bilboquê de garrafa pet

Eu não sei se você já sugeriu para as famílias, mas bilboquê é uma atividade muito bacana.

Para fazer o bilboquê pegue uma garrafa pet, corte próximo da abertura, deixando mais ou menos cinco dedos a partir do bocal, faça um furinho na própria tampa da garrafa e passe uma cordinha.

Dê um nozinho para a cordinha ficar presa na tampa, e amarre a outra extremidade no bocal.

Pode ser uma cordinha, um barbante, um pedaço de varal, uma lã, qualquer material que a família tiver.

Eu sempre vejo os professores fazendo bilboquê para crianças maiores, mas dá muito certo para crianças de dois a três anos.

Tudo vai depender do tamanho da cordinha.

Quanto menor a cordinha, mais fácil.

É só a criança dar o impulso que automaticamente a tampinha vai cair lá.

O que dificulta no bilboquê é o tamanho da cordinha. Se eu aumento o tamanho a criança terá que ter mais coordenação para conseguir encaixar a tampinha.

Para a criança de dois a três anos usem uma cordinha pequena, do tamanho suficiente só para a tampinha cair dentro.

Estrada para tampinhas de garrafa

Para fazer um caminho para as tampinhas pegue uma folha de papel, um pedaço de papelão, o que tiver, e desenhe algumas formas, algumas retas, zigue-zagues.

E qual é a idéia? A idéia é você colocar a folinha na mesa, dar uma tampinha de garrafa para criança, e ela vai fazendo com a tampinha o movimento em cima do desenho que você fez.

Conforme a criança vai ficando maior, três anos para cima, podemos colocar duas tampinhas, uma em cada desenho, e a criança faz o movimento com as duas mãos ao mesmo tempo.

Eu usei folha sulfite e canetinha, mas a família pode usar o que tiver em casa, lápis, tinta, papelão, caixa de leite.

Carinhas das emoções e sentimentos

E por último quero sugerir uma atividade que é sempre importante. E nesse tempo de quarentena talvez seja mais importante ainda. Que é uma atividade para nós trabalharmos as emoções das crianças.

Eu peguei papelão, e fiz uma espécie de cabeça de batata, a mão livre mesmo, recortei, e fui desenhando várias carinhas com expressões diferentes, triste, feliz, com sono, bravo, etc.

Como eu fiz? O nariz e o olho na parte de cima, e a boca na parte de baixo, e cortei na metade.

A idéia é conversarmos com as crianças sobre as emoções.

Por exemplo, pegar uma carinha que indique sono, e perguntar para a criança se ela também está com sono. Para a criança ir identificando e percebendo suas próprias emoções, e ir identificando o outro.

É muito importante a criança ter liberdade de expressão com relação às emoções, e para isso ela precisa entender o que está sentindo, para conseguir se expressar.

E quando eu falo liberdade para expressar-se, de colocar para fora suas emoções, é justamente não termos aquela fala com a criança como, por exemplo, mandarmos ela parar de chorar e dizer que não foi nada.

Algumas vezes a criança cai, não cortou, não ralou, mas caiu, e ela chora, e dizemos “para que não foi nada”. Às vezes não foi nada para nós, mas para a criança foi.

Temos que respeitar o momento de cada um, entender os sentimentos das pessoas, aceitar. A criança precisa entender que, o que ela está sentindo não é o que os outros estão sentindo

Nessa fase, das crianças bem pequenas, e das crianças pequenas, elas tem as sensações assim, se ela está com sono ela acha que todo mundo está com sono, se ela está com fome ela acha que todo mundo está com fome. Da mesma forma que ela muitas vezes não entende que machucou o outro, porque ela não está sentindo dor.

Por isso precisamos ir mostrando as sensações e emoções para as crianças, e conversar isso com elas, que o sentimento é uma coisa individual, que passando pelos mesmos problemas as pessoas podem ter sentimentos diferentes.

As emoções são muito individuais, e é importante conversarmos e trabalharmos isso com as crianças.

Podemos fazer várias carinhas, depois a criança pode brincar de trocar, fazer variações com as partes de baixo e de cima.

Esse trabalho com sentimentos, com emoções, com liberdade de expressão, é importante sempre. Nesse momento mais ainda.

A criança está em casa e não sabemos com o que os nossos alunos estão lidando. No dia a dia, no geral, nós conhecemos nossos alunos, eles vão para casa, vem para a escola, e mais ou menos sabemos o que está acontecendo.

Agora eles estão em casa, e muitas vezes nem os pais sabem o que eles estão sentindo. Pode acontecer de a TV estar ligada e eles estão vendo notícias de pessoas que morreram, ou eles vêem parentes chorando que perderam familiares, ou vêem os comércios que estão fechando, e eles vão ouvindo aquilo. E parece que é uma conversa de adulto, que eles não vão saber o que é aquilo, mas eles sabem sim, eles sentem, eles vão entender. E é difícil para eles.

Se está difícil para os adultos, cada um está passando pelas suas dificuldades, imagine a criança.

Nesse momento é fundamental que orientemos as famílias.

Pode ser dessa forma, com as carinhas de papelão, pode ser em garrafa pet, pode ser da forma que você achar melhor.

Sugere para as famílias fazerem, e explique sobre a importância de respeitar os sentimentos das crianças. Não é porque ela é criança que ela não tem sentimentos.

Precisamos entender se a criança está triste, com sono, etc., e respeitar, e as carinhas são fantásticas para isso.

Gostou das dicas? Me conta nos comentários…

Beijo

Vivian Mazzeo

16 comentários em “Atividades para crianças pequenas, 2 a 3 anos”

  1. Nossa amei todas a ideias, principalmente a última, e pela explicação. Muito obrigada. Irei aplicar na rotina do meu baby Benjamin e futuramente com a minha pequena Ana Elisa.

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