Mordidas… Vamos acabar com elas???

Apesar de muito comum no contexto infantil, elas devem e podem ser tratadas com atenção para diminuir o máximo possível sua incidência.

Todas as pessoas que trabalham com crianças já presenciaram a ocorrência de mordida.

A chamada “fase oral” é quando o bebê experimenta o mundo por meio da boca. Para o médico considerado o pai da psicanálise, Sigmund Freud, a fase oral é o estágio mais primitivo do desenvolvimento, pois as necessidades, percepções e os modos de expressão do bebê estão concentrados na boca, lábios e língua.

Além disso, a boca é a primeira área do corpo que o bebê pode controlar e morder é uma maneira rápida e na maioria das vezes eficaz de conseguir um brinquedo ou chamar atenção.

Não podemos esquecer que nessa fase a criança é egocêntrica, imagina que o mundo funciona e existe por causa dela. Portanto, tudo o que deseja deve ser prontamente atendido e quando isso não acontece, gera os conflitos.

Na Educação Infantil, a criança vai vivenciar situações de convívio social pela primeira vez, para isso os pais e os educadores precisam estar preparados e atentos para introduzir essa criança no grupo e ensiná-la a se comunicar e se relacionar com os colegas.

Todas as crianças de 1 a 3 anos, provavelmente, usaram ou usarão essa conduta, sendo que esse recurso praticamente desaparece quando a linguagem está mais desenvolvida.

Fato é que a mordida é uma agressão, provoca dor e deixa marca. Por isso deve ter grande atenção na escola.

Sendo assim, precisamos cuidar das duas crianças, ambas necessitam de ajuda.

Importante ter em mente que não há regras. E cada caso é um caso, necessitando de atenção e carinho.

 

QUEM MORDE…

Em geral, a criança que morde, não tem a intenção de machucar o outro.  E não vê o fato como forma de violência.

Seja qual for a causa é importante não rotular a criança de mordedora, pois além de essa criança ficar taxada perante as demais, trazendo futuros prejuízos emocionais, ainda vai gerar uma expectativa de que ela volte a morder, o que pode realmente levá-la a morder mais.

Contudo, é necessário que fique claro para a criança que o que ela fez provoca dor e machuca, além de auxiliar para que ela encontre outras maneiras de expressar suas vontades e sentimentos. Tudo de forma calma e tranquila.

Vale lembrar que como consequência dessa conduta muitas vezes a criança acaba isolada do grupo e isso pode gerar mais conflitos entre os companheiros, fato esse que o educador deve estar muito atento para tomar as medidas necessárias.

 

QUEM É MORDIDO…

A criança que é mordida, em geral, não entende o porquê daquilo. Além de ser extremamente doloroso.

Após o ocorrido, ou quando há reincidência de mordida na mesma criança, ela pode começar a rejeitar a aproximação da criança que morde.

Portanto, precisamos ajudar essa criança a encontrar outras maneiras de se posicionar, se defender, se relacionar e se expressar. Lembrando que ela faz parte do processo, juntamente com quem mordeu.

Relatar aos pais da vítima o que e como tudo ocorreu é fundamental, mas, não necessariamente, divulgar o nome do mordedor. Primeiro porque essa informação é a que tem menos relevância e segundo para não expor a criança.

 

CAUSAS DAS MORDIDAS…

Há muitas razões pelas quais as crianças podem morder, confira algumas delas:

  • Explorar
  • Aprender
  • Conhecer
  • Relacionar-se
  • Aliviar dor na gengiva
  • Ambiente desconhecido
  • Fome
  • Frustração
  • Tédio
  • Chamar a atenção
  • Disputa por brinquedo
  • Irritabilidade, exemplo, por níveis de sons e/ou de luz inadequados
  • Tristeza
  • Alegria
  • Ausência de linguagem suficiente para se comunicar e se fazer respeitar
  • Experimentar, para ver o que acontece
  • Estar na fase oral
  • Excesso de cansaço
  • Início da dentição
  • Necessidade de estimulação oral
  • Obter de forma rápida algum objeto
  • Demonstração de carinho – as vezes, aprendida em casa, com os pais
  • Interesse pelo colega
  • Entre outras…

 

COMO EVITAR AS MORDIDAS…

 

 

 

 

 

 

 

 

Estar sempre atento e fazendo uma leitura minuciosa do ambiente é essencial.

Algumas dicas também irão ajudar, como:

  • Se antecipar para reduzir os comportamentos não desejados.
  • Se a criança está na fase em que seus dentinhos estão saindo ou está numa fase de exploração, proporcione uma grande variedade de brinquedos e coisas que possa morder para se acalmar.
  • Valorizar a diversidade de linguagens – gestos, palavras, sons, desenhos, escrita – como instrumentos para a criança pensar o mundo e em si.
  • Se duas crianças brigam com frequência por um mesmo brinquedo, compre mais unidades para que brinquem simultaneamente.
  • Se ela morde quando sente fome ou está cansada, diminua o tempo de brincadeiras para que ela coma antes e possa descansar.
  • Se ela morde para chamar a atenção, o professor deverá passar um pouco mais de tempo com ela, fazendo atividades como ler, jogar bola, entre outras, nunca como consequência de ter mordido e sim como forma de entretê-la evitando a mordida.
  • Evitar que o grupo se chateie ou esteja nervoso em excesso.
  • Evitar grupos numeroso e estar suficientemente atento e próximo para poder intervir com rapidez.
  • Reservar longos períodos diários para o brincar.
  • Sempre utilizar as brincadeiras, pois elas são poderosas ferramentas para expressão e organização.
  • Estimular, por meio de um modelo de intervenção, formas verbais de resolução de conflito.

Quando se trata de mordida, precisamos estar atentos aos detalhes, dessa forma é crucial pensar sobre a rotina, o espaço e os materiais.

Outro fator importante é mapear o ocorrido. Como aconteceu a mordida? Que horário? Quem estava perto? Qual o motivo mais provável?  As crianças estavam brincando? Entre outras variáveis…

Assim, o professor compreende cada caso, podendo rever sua organização e estar melhor preparado para possíveis reincidências.

 

AO PERCEBER QUE A CRIANÇA ESTÁ PRESTES A MORDER…

  • Distraia a criança com um brinquedo, peça que olhe para outro lugar, ande pelo ambiente com ela e se possível fora dele, desviando assim a atenção da criança.
  • Faça uma intervenção com a criança, apresentando outras formas que ela pode utilizar para resolver o problema ou satisfazer sua necessidade.
  • Se estiver relacionada a fase de dentição, ofereça mordedores.
  • Ampare a criança com um abraço caso perceba que ela está brava ou irritada, será acolhedor e confortador.
  • Se perceber que a criança está com raiva, oriente a expressar esse sentimento de outras formas como “pular”, “imitar um leão”, ou outras coisas que são aceitáveis.
  • Sempre propor formas de se comunicar, o objetivo é transformar a atitude corporal em linguagem. Essa atitude precisa ser ensinada desde cedo, para que não cresçam e mantenham essas atitudes para conseguir o que querem.

 

MORDEU! O QUE FAZER?

 

 

 

 

 

  • Utilize um tom firme para dizer “Não” e que “Morder dói”, sem gritar, abaixe-se e olhe nos olhos da criança, com isso, espera-se que eles vão compreendendo que morder não pode ser a melhor forma de se comunicar.
  • Mostrar a importância do respeito e do tratar bem o amigo que ficou triste por ter sido mordido.
  • Explique para criança o que ela poderá fazer da próxima vez ao invés de morder.
  • Acolher a criança que foi mordida, dessa forma a criança que mordeu perceberá que essa atitude não resulta em mais atenção.
  • Paciência, pois aprender um novo comportamento leva tempo, a criança poderá apresentar a atitude de morder novamente, é necessário acompanhar e estimular a linguagem.
  • Estar próximo e ficar de olho para evitar novos episódios.
  • Conversar com as famílias dos que mais mordem e colocá-las a par do que está acontecendo, a interação escola família é muito importante na solução de todos e qualquer problema relacionado a criança.
  • Quando a mesma criança apresenta mordidas frequentes, pode estar relacionada a insatisfação, ansiedade, sentimento de rejeição, entre outros. É importante acompanhar e buscar ajuda de um psicólogo, se necessário.
  • A criança quer foi mordida poderá apresentar hematomana região, utilize uma compressa fria no local, tomando cuidador para não resfriar demais a pele e causar lesão. Também podem ser utilizadas compressas frias de chá de camomila, que acalmam a pele e diminuem a vermelhidão.

 

A BOA NOTICIA…

A boa notícia é que como trata-se de uma fase, ela vai passar. Porém essa passagem de fase acontece de forma gradativa.

A criança sai do egocentrismo e começa a descobrir o prazer de brincar com o outro, quando se inicia o processo efetivo de socialização.

Além disso as crianças crescem, aprendem a controlar suas emoções e a se expressar por meio da fala, não mais utilizando o recurso da mordida.

É importante, que a escola e os pais trabalhem em sintonia, utilizando a mesma linha de pensamento e estratégias e saibam usar este momento para ensinar à criança as regras de convivência.

Dessa forma, certamente, a criança estará preparada para o seu desenvolvimento.

6 comentários em “Mordidas… Vamos acabar com elas???”

  1. Excelente texto sobre as mordidas, sabemos que essa fase existe mas que é extremamente desagradável tanto para a criança que é mordida por ser a vítima, como para a que morde que é inocente também mas passa por essa fase … A família nem sempre recebe a notícia bem e a professora tem de ter muito jogo de cintura e ética para passar dessa fase com seus alunos. Parabéns pela ajuda! Sensacional

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  2. Texto sobre algumas experiências interessantes. Aproveito para relatar algumas. Quando estava na função de Orientadora na Escola, ouvia e via situações ao qual professoras Se Angustiavam Com Alunos que praticavam mordidas. Certa vez perguntei a professora: tu lembras o que acontece antes da mordida? Ela pensou, me disse: estou vendo o filme é lembrei que era exatamente o momento que nos dá equipe começava a prepara – los para ir para casa, ficávamos ansiosos tentando deixar tudo perfeito e esqueci amos do todo e das crianças. Hummm….descobrimos juntos e parece que melhorou. Assim hoje como estou na função de professora , procuro analisar vários ângulos e situações, desejando sempre ambientes harmônicos a nós. Abçs

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  3. Excelente texto sobre as mordidas, sabemos que essa fase existe mas que é extremamente desagradável tanto para a criança que é mordida por ser a vítima, como para a que morde que é inocente tbm mas passa por essa fase … A família nem sempre recebe a notícia bem e a professora tem de ter muito jogo de cintura e ética para passar dessa fase com seus alunos. Parabéns pela ajuda!

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